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Dica de Filme: Eu, Daniel Blake

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Depois de muito tempo estou aqui de volta com mais uma dica de filme. O escolhido desta vez é “Eu, Daniel Blake​”(I, DANIEL BLAKE​), dirigido por Ken Loach.
“Eu, Daniel Blake” conta a história de um idoso com problemas cardíacos que luta para manter seus benefícios financeiros no serviço público; enquanto começa a desenvolver um forte laço de amizade com uma mãe solteira, que batalha para sustentar os dois filhos.

Assim é Daniel Blake um senhor aparentemente ranzinza que te cativa desde o início do filme, ele não te deixa ser indiferente. O senhor é como uma jóia bruta que logo se mostra ser muito carismático, você já compra sua briga logo nas primeiras falas da película e a cada minuto vai entrando mais e mais nessa odisseia do idoso e quando menos espera, já está de corpo e alma dentro do desafio hercúleo que Daniel Blake se propõe a trilhar.

O filme não tem grandes firulas técnicas ou efeitos de encher os olhos, ele é direto e simples, sua mensagem clara não te deixa não se emocionar, passar pelo filme de forma indiferente é quase impossível, pois todos podemos ser Daniel Blake um dia. O filme deixa claro que o governo existe apenas para se sustentar e não ajudar quem precisa. Vemos pessoas comuns que podem ser eu ou você lutando para que o governo lembre-se delas não apenas na hora de cobrar seus impostos, mas em todos os momentos de suas vidas. Até parece que estou falando do Brasil, mas isso acontece na Inglaterra, o que deixa o filme mais universal e nos mostra que governo é sempre igual com seus mecanismos que funcionam de forma eficiente para manter seus próprios interesses. Assim é o Estado, nos obrigando a refletir sobre até que ponto vai a nossa dignidade em troca da sobrevivência que ele nos promete. Daniel Blake aborda tudo isso de maneira clara e simples.

Seus personagens são “reais” e verticais, até mesmo os personagens menores, esse é um ponto que preciso falar: como já disse o personagem principal é maravilhoso e extremamente carismático, mas também há personagens muito relevantes e tristemente belos como Kattie, interpretada por Hayley Squires que protagoniza a cena mais forte de todo o filme. E dos personagens coadjuvantes o que mais me pegou foi a da filha mais velha de Kattie, Briana Shann​ que interpreta Dayse, a pequena atriz faz um trabalho tocante, com frases certas nos momentos certos, dando a ela um contorno especial, meigo ​e ao mesmo tempo ​sofrido, de uma criança que a vida infelizmente fez amadurecer mais rápido. Sim, “Eu, Daniel Blake” é um filme de atores, eles são alma de todo o filme, existe uma qualidade técnica , mas ela não é a essência, quem constrói toda atmosfera são os atores que ajudam a contar a bela estória escrita por Paul Laverty.


Apesar de triste, o filme acaba de certa forma deixando uma mensagem positiva, por ser uma mímese da vida. O drama que alguns podem até dizer que é piegas, deixa você crer que ainda há uma pequena esperança na humanidade, ainda existem pessoas que pensam em SER e não apenas TER, e que podemos ajudar o próximo mesmo não tendo nada, e que quando ajudamos somos nós quem seremos os verdadeiros ajudados.” Eu, Daniel Blake” é um filme que recomendo sem medo, um filme pra assistir e refletir, daqueles que ficam em sua cabeça durante dias.

Ficha Técnica:

Eu, Daniel Blake​”(I, DANIEL BLAKE​)
Gênero: Drama
Direção: Ken Loach
Roteiro: Paul Laverty
Elenco: Briana Shann, Bryn Jones, Colin Coombs, Dave Johns, Dylan McKiernan, Harriet Ghost, Hayley Squires, John Sumner, Mick Laffey, Micky McGregor, Natalie Ann Jamieson, Rob Kirtley, Sharon Percy, Viktoria Kay
Produção: Rebecca O’Brien
Fotografia: Robbie Ryan
Montador: Jonathan Morris
Trilha Sonora: George Fenton
Duração: 100 min.
Ano: 2016
País: Reino Unido
Cor: Colorido
Estúdio: BBC / British Film Institute (BFI) / Sixteen Films / Why Not Productions / Wild Bunch
Classificação: 12 anos

 

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