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Blade Runner 2049: Considerações apressadas de um fã nostálgico

Uma crítica feita por um cidadão de opinião irrelevante.

 

Blade Runner 2049 tem a difícil missão de ser a continuação do clássico lançado em 1982, fico feliz em dizer que o filme cumpre tal missão de forma satisfatória.

Começando pelos pontos alto: design, fotografia, efeitos e trilhas sonoras são um primor, passam o espirito e transportam o expectador para o mundo do primeiro filme.

Falar da história do filme é, claro, estragar as surpresas, em linhas gerais é dado continuidade as discussões do primeiro filme, agora com novos e maiores elementos. Philip K. Dick com uma pitada de William Gibson.

Blade Runner 2049 conta a trajetória do agente KD6-3.7 um “caçador de androides”, ele mesmo um replicante Nexus-9, que durante uma caçada e descobre um grande segredo que pode mudar o mundo e relação entre humanos e replicantes.

Entre o original e a continuação (passada 30 anos após o primeiro), ocorreram eventos importantes para a ambientação e compreensão do segundo filme. Esses eventos são contatos em 3 curtas metragens, disponíveis no youtube (linkados no final desse post).

O primeiro e mais importante: Black Out 2022, dirigido por ninguém menos que Shinichiro Watanabe, o cara responsável pelos excelentes, Cowboy Bepop e Samurai Champloo, conta como a maioria dos dados digitais do mundo foram apagados. O início da queda da corporação Tyrell.

O segundo: 2036 Nexus Dawn, dirigido por Luke Scott, mostra (ou dá a entender) como o personagem de Jared Leto “Niander Wallace” consegue revogar a proibição da fabricação de novos replicantes, O início do Império Wallace, construído sobre os espólios da corporação Tyrell.

O terceiro: 2048 Nowhere To Run, também dirigido por Luke Scott,  é apenas um prelúdio que conta como a localização de um importante replicante do é encontrada.

Quando menos é mais

Blade Runner 2049 superou muito minhas expectativas, isso não quer dizer que é um filme perfeito, muito menos “um dos melhores filmes de ficção cientifica de todos os tempos” como li por aí, quer dizer apenas que, em um contexto onde continuações de clássicos geram desapontamentos retumbantes (Alien: Covenant, você é um deles), o filme consegue manter o interesse, contar uma boa história e não macular a obra original. Grande feito.

Os pontos negativos que levantarei não chegam a ser críticas duras ou técnicas, são somente percepções e comparações extremamente pessoais.
O roteiro tenta em vão, em pelo menos 3 ocasiões, recriar o peso e a profundidade do famoso diálogo final de Roy Batty (imortalizado por Rutger Hauer) com frases de efeito e complicações desnecessárias.

I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.
Roy Batty – Blade Runner

 

A discussão do filme sobre o que nos faz humanos é expandida com a inclusão de um elemento à la Matrix (para citar uma fonte mais recente e dentro do mesmo âmbito), é interessante, mas desnecessário, se afastando um pouco do universo da história.

A ambientação é, quase, perfeita, com várias cenas áreas que mostram a complexidade e extensão daquele mundo, no entanto senti falta de cenas que mostrassem mais a sociedade, as ruas, os guarda-chuvas com neon e o dia-a-dia de seus habitantes, uma característica do primeiro filme.

Blade Runner 2049 é pretensioso, com cenas grandiosas, exageros e uma história aparentemente mais complexa, não gera um saldo negativo, mas me faz pensar como o primeiro filme entregou tanto com tão pouco, é improvável que tenha sido intencional, mas devido as complicações da produção, verba, recursos e tecnologia limitada da época a película precisou ser mais contida, o que está longe de significar simplória, a entrega de uma ambientação memorável, atuações incríveis e principalmente um debate condensado, mas poderoso.

Percebi só agora ao final do texto que não citei os nomes dos diretores do antigo e do novo Blade Runner. Denis Villeneuve honra mais o trabalho de Ridley Scott do que o mesmo quando vemos o que anda fazendo com sua a Alien. Fiquem com a frase de efeito: Senhor Scott, para que seu trabalho e mérito não se percam como lágrimas na chuva, é hora de parar.

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